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Permanência e contemporaneidade da homeopatia como medicina do sujeito.
Situada entre arte e ciência a medicina do sujeito é uma proposta muito viável como cuidado clínico efetivo. Re-significar a tradição da homeopatia tem sido colocá-la em contato com as principais correntes do pensamento contemporâneo, da epidemiologia à filosofia, gerando a oportunidade para que seja enfim compreendida pelos pensadores atuais. Ao destacar o papel da linguagem, a centralidade da palavra e o uso dos recursos discursivos e simbólicos no processo semiológico-terapêutico, o autor induz um profícuo diálogo com a produção teórica das ciência humanas do século XX com destaques para a epistemologia e a hermenêutica filosófica. Esta última diria que é preciso fazer a tradição falar de novo. No pleno giro desta nossa modernidade tardia, sob o resgate da questão ética do sujeito, a medicina homeopática emite testemunho. Conheçamos sua voz.
Trata-se de um estudo qualitativo, baseado na análise documental de textos canônicos da homeopatia, especialmente a obra de Hahnemann, e entrevistas em profundidade com homeopatas que combinam atividade clínica com pesquisa e docência na área (formadores de opinião). A metodologia foi instruída pela Hermenêutica Filosófica e pela Epistemologia Histórica, sendo o substrato discursivo (escrito e falado) trabalhado de modo não-formalista, buscando-se identificar e interpretar livremente eixos narrativos e núcleos de significado julgados relevantes. A discussão voltou-se fundamentalmente para a recuperação dos principais movimentos históricos de conformação do paradigma vitalista na homeopatia, o cotejamento desse desenvolvimento com a adoção de procedimentos semiológicos de caráter compreensivo-interpretativo e as implicações desse “vitalismo da palavra” para as concepções homeopáticas contemporâneas. O trabalho aponta para a positividade e produtividade do trabalho com a linguagem e as narrativas no âmbito de uma homeopatia entendida como uma “medicina do sujeito”, e sugere aprofundamentos na direção hermenêutico-filosófica como alternativa para o adensamento conceitual e para o aperfeiçoamento dos processos de validação do saber e da prática da homeopatia.
[Edição 2005. 311p. Tese (doutorado) de Paulo Rosenbaum -- Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo]

